quarta-feira, 17 de outubro de 2012

A Terapia do Foda-se

Gastei quase minha vida inteira – 26 anos – me preocupando demais se ofendi alguém, me preocupando se eu sou legal demais para eles, ou me perguntando se eles estão me julgando ou falando mal de mim.
Não aguento mais. Isso é estúpido e não faz bem para meu bem-estar. Acabei virando um auto-sabotador e alguém sem personalidade. Mas o pior de tudo é que isso me fez virar uma pessoa que não toma uma postura diante de situação alguma. Me fez virar alguém que fica no meio-termo sempre, e não onde eu gostaria de ficar, por medo de fazer com que os outros mudem de opinião.
Não hoje. Não mais.
A partir de agora as coisas serão diferentes, senhoras e senhores.
Vamos falar sobre a cura. Vamos falar sobre o que é necessário. Sobre a verdade.
Você quer saber se alguém fala mal de você? Ou se os seus amigos vão aprovar? Você evita conflitos? Não tem postura?

 
 Bem, é hora de mandar tudo ir se fuder.
FATO NÚMERO 1. Pessoas estão te julgando AGORA.
Sim, realmente está acontecendo neste exato momento. Algumas pessoas não gostam de você, e adivinha? Não há nada que você possa fazer. Não importa quanto você babe o ovo deles ou tente favorecer seus interesses, isso não vai ajudar. Na verdade, o oposto geralmente é verdade: quanto mais você se impõe, mais eles te respeitam, querendo ou não.
O que as pessoas realmente respeitam é quando você traça uma linha e diz “vocês não passarão daqui”. Eles podem não gostar desse tipo de atitude, mas e dai? De qualquer forma, são as pessoas que já não gostam de você, por que você deveria tentar agradar pessoas que não ligam pra você?
Beleza. Daí, tem os trolls da internet, que são outros 500.
Não tem problema com pessoas normais, na verdade você não ouve quando elas estão falando mal de você pelas suas costas. Mas na internet, você vê, o que muda a dinâmica drasticamente. Essas coisas tem impacto por que você tem lá sua vaidade. Mas o real problema com os haters é que eles confirmam sua paranóia de que todo mundo odeia você secretamente.
Para o nosso alívio, isso não é totalmente verdade. A primeira grande verdade é que a maioria das pessoas nem se importa se você está vivo. Abrace essa idéia, meus amigos, para a liberdade de verdade. Esse mundo é gigante e você é pequeno, e você pode fazer o que quiser e estar pouco se fudendo pra quem não gosta.

FATO NÚMERO 2. Você não precisa de que todo mundo goste de você.
É uma puta doideira, eu sei, mas é legal, você se acostuma com isso. Aqui vai a próxima idéia: A maioria das pessoas além de não saberem que você existe, também podem estar te julgando, mas mesmo que elas estejam, isso não importa.
Você pode não ter percebido ainda o quanto isso é libertador, mas vai. Se liga então: quando as pessoas não gostam de você, na verdade, NADA ACONTECE. O mundo não acaba. Seus dedos não vão cair. Na verdade, quanto mais você ignora-os e toma conta da sua vida, melhor você se sai.
Sabe quando dizem que “a melhor vingança é uma vida bem vivida”? Bem, é verdade, mas não é a verdade inteira. Viver bem a vida é ótimo, sim, mas isso não acontece enquanto você está se martelando sobre quem são seus depreciadores e o que eles pensam. O que você tem que fazer, o que você não tem escolha, DEVE fazer, é aceitar isso e continuar em frente.
Mandar tudo pra puta que pariu é um precedente necessário para criar uma vida boa para si mesmo, na verdade. Simplesmente não acontece se você não tiver essa idéia na cabeça.
E é por isso que você deve começar hoje.

FATO NÚMERO 3: É você quem realmente importa.
Ok, daí você se ajustou para o fato de que a grande maioria das pessoas sequer estão cientes da sua existência, e você também sabe do fato que as pessoas que não gostam de você estão na minoria das minorias E são totalmente irrelevantes. Maravilhoso. Agora você precisa se tocar de que as pessoas que se importam com você, e mais ninguém, são as que você deve focar.
Relacionamentos são esquisitos. Uma vez que estamos em um (seja com esposa, família, whatever) prontamente colocamos a pessoa na zona ‘garantida’ e passamos a impressionar os outros – nossos chefes, por exemplo – e depois que impressionamos nossos chefes, jogamos ele pra zona garantida também, e assim por diante, num ciclo vicioso de apatia. É como se nós sempre preferíssemos impressionar e ‘seduzir’ o novo ao invés de trabalhar no que nós já temos.
Mas essas pessoas – seus campeões – entendem sua jornada e sua causa. Eles fazem você se sentir bem quando você está próximo deles, fazem você rir ou se sentir a vontade para ser você mesmo. Eles fazem você se sentir relaxado e tranquilo. Você compartilhou coisas com eles. São importantes para você. Foque neles.

FATO NÚMERO 4. Quem não liga para nada muda o mundo. O resto não.
No momento eu to lendo esse livro horrível escrito pelo Stephen King, chamado “Long Walk”. É uma competição onde as pessoas andam sem dormir ou descansar, e se eles pararem, são mortos. (Na verdade todo livro do Stephen King é assim – “Olha, um palhaço, mas ele mata!” “Há um carro, mas ele mata!” etc.)
Suspeito que este livro seja uma metáfora para guerra, mas também trata sobre perseverança muito bem. O que faz você conseguir caminhar sob qualquer coisa é simplesmente entender que seus obstáculos não são importantes, e podem ser ignorados. É verdade, seja para correr uma maratona ou tentando ir para Marte.
Se você ignorar as coisas que não importam; se você remover essas coisas da sua cabeça e focar no que deve ser feito/ se você entender que seu tempo é limitado e começar a trabalhar agora; só assim você será capaz de atravessar na linha de chegada. Caso contrário, você será dissuadido a viver uma vida que você não está interessado.
Obs: Você deve lidar melhor com as falhas e a escuridão. Você pode estar numa situação difícil agora onde você se sente solitário ou um fracasso, uma falha humana. Não se preocupe, todos nós já estivemos aí. Mas tá na hora de você entender como esses problemas são comuns, e a maioria das pessoas mais bem-sucedidas e felizes do mundo já passaram por eles. Essas pessoas passam por isso, e você também vai.

O olho te observa
Quer saber de uma coisa? Não tem nada a ver co ninguém, tem a ver com você.
Todo mundo tem um ‘olho internetístico’. Sempre está observando. Está sendo construído aos poucos pela sociedade de uma forma geral e por seus amigos e família, e fica te observando seus comportamentos não-aceitáveis. Se você convive com isso por tempo suficiente, você passa a acreditar que o olho é você mesmo, que você está ‘sendo sensato’ ou algum outro tipo de racionalização.
Mas o olho de forma alguma é você. É uma prisão, e você justifica sua existência obedecendo-o. É forte porque você permite que seja forte.
Mas o segredo, a parte que é surpreendente, é que ele não pode fazer nada para te parar, mesmo que ele quisesse. É só um olho. Apenas observa. Todo o seu resto é livre para agir como você quiser.

Como ter facilmente seu auto-respeito de volta em 5 passos
PASSO 1. Faça coisas que você considera embaraçosas.
Eu e minha ex-namorada fomos do centro de SP até Santo André usando cartolas na cabeça. Já viu algum casal andar de cartola por aí? É estiloso, você se sente um cônfrade, mas é ridículo.
Como eu disse no início desse post, sou profundamente consciente e posso ficar bem chateado pelo julgamento das pessoas – acho que um monte de pessoas são assim, mas não admitem. Mas enquanto andávamos nos sentindo como membros de uma confraria, ninguém olhou para mim. Ninguém se importou, e de repente fui percebendo que mesmo que eles me olhassem estranho, eles simplesmente continuariam andando. Amanhã sequer lembrariam de mim.
Você deve tentar isso. Descubra seus filtros internos e quebre-os, um de cada vez. Perceba como a sociedade, como um oceano, vai suavizando as ondas que você gera, até que o que você tenha feito seja eliminado, ou vire o status quo. Domine isso.

PASSO 2. Aceite, ou lide com, o embaraço
É sabido que os entrevistadores conseguem seus melhores materiais ficando quietos e deixando que o silêncio faça com que as palavras saiam de um político ou de uma celebridade.
Você pode ficar desconfortável com o silêncio. Eu sei que eu fico. Mas eu tenho trabalhado nisso e devo dizer que é um estado muito mais sereno de se ficar do que tentar preenchê-lo com asneiras aleatórias só para encher o ambiente. Isso é um tipo de embaraçamento, um tipo que você deve se sentir confortável e aprender a viver com.
Outro tipo de embaraço social é esse espaço intermediário onde você fez algo errado ou foi injustiçado, mas não diz nada. Recebi algumas lições bem ásperas na minha vida e acabei percebendo que a liberdade que vem de falar sobre uma verdade desconfortável é melhor do que o conforto de evitar de falar sobre.
Alguém me disse recentemente que o método da família Clinton para ganhar respeito na política é: se alguém te empurra, empurre de volta com o dobro da força. É bem melhor do que o embaraçamento. É claro, não é passivo de agressão e você sabe da sua postura. Comece imediatamente.

PASSO 3. Recuse obstáculos.
Ande onde quer andar. Não aceite falsas escolhas. Não deixe as pessoas ditarem como você deve viver sua vida. Definitivamente não ouça o olho.

PASSO 4. Fale a verdade.
Você não precisa ser um cuzão, mas o mundo também não precisa outra pessoa que evita conflitos, alguém evasivo. Ninguém quer alguém que ande na linha de todo mundo. O status quo funciona perfeitamente sem você, então cabe a você falar que tá tudo uma merda se você acha que está.
Cuidado para não confundir. Falar a verdade implica ver a verdade, não jogar suas emoções encima de tudo.

PASSO 5. Comece sua nova vida.
Esse passo não pode acontecer sem os outros, mas uma vez que você chegou aqui, você pode começar a explorar um mundo inteiramente novo – um mundo onde tudo que você faz é bom e permitido enquanto não machuque gravemente outra pessoa. Quer explorar construções abandonadas? Sem problemas, enquanto você conseguir viver com as consequências. Têm vontade de se pendurar em cordas ou ser chicoteado por uma dominatrix? Vá, mas esteja seguro disso.
Uma vez que você começa esse caminho, você passa a descobrir que praticamente todo mundo é capaz de entender as estranhices que você faz. De fato, faz você interessante e alguém digno de se prestar atenção, o que colabora com seus plano de dominar o mundo, se você tem algum. Mas nenhuma dessas diversões podem acontecer sem que você reconheça o olho e o deixe para trás. Fazer isso é um ato poderoso de auto-controle que constrói ímpeto e te faz forte.
Tenha seu auto-respeito de volta. Faça isso hoje – tente imediatamente. Vista algo ridículo. Faça algo estúpido. Diga a verdade a alguém.


Walker

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